1 crise + 1 oportunidade + 47 cartões

Fazer algo pela primeira vez na vida é sempre emblemático, simbólico, para ser lembrado…

Semana passada estive em uma grande feira de negócios no Brasil, dessas que ocupam pavilhões no Ibirapuera ou Rio Centro; Muitos stands, as empresas se apresentando com materiais gráficos de qualidade, vídeos em telões mostravam campanhas publicitárias desenvolvidas exclusivamente para o evento, filas longas de cadastramento….

Apesar de já ter frequentado diversas feiras, essa foi a minha primeira feira de negócios como comprador..

E cá pra nós, que alívio é ser o comprador em período de crise. As pessoas te bajulam, querem saber de onde você veio, para onde vai, o que come, como se comporta. Era como estar num Globo Repórter da minha própria vida, mas com a vantagem de não precisar ter morrido.

Até então, apenas tinha frequentado essas feiras como vendedor.

Você já foi a uma feira, como vendedor???

Cá pra nós (parte 2)… O game é totalmente diferente, ninguém quer conversar contigo, as portas estão fechadas, se a outra pessoa se liga logo de cara que você está lá pra vender, nem água te oferece.

Mas eu não tenho nada pra reclamar quanto a isso, muito pelo contrário, meu lado sarcástico sempre tirou excelentes lições de situações como essa.

E o melhor de tudo… O relacionamento que eu construía com as empresas, a partir de apertos de mãos dados em uma única feira, já me garantia comissões para o ano inteiro. Para ser mais preciso, minha conta sempre foi: Criar relacionamentos em 2 grandes feiras por ano = comissões por 365 dias. Nada mal…

Bom, de volta a história, dia seguinte à feira, organizei os cartões de visitas que recebi, montei um arquivo no Evernote com anotações e fotos que havia feito. Faço questão de organizar tudo, a ponto de qualquer pessoa que trabalhe comigo, ao olhar esse arquivo, se sinta como se estivesse ido à feira também.

Acontece que algo muito estranho aconteceu, ou simplesmente, não aconteceu….

Ao término da feira, absolutamente nenhum dos 47 expositores que troquei cartão, entrou em contato comigo. Todos reclamavam da crise, todos tinham perspectivas conservadoras quanto à economia, todos se queixavam dos políticos e afins, mas ninguém sequer ao menos me enviou uma única mensagem com a esperança de fechar vendas e consequentemente melhorar suas vidas.

 

Essas pessoas pagaram caro para estarem lá, se planejaram, deslocaram seus funcionários, contrataram equipe extra, os expositores ficaram longe de suas casas e famílias. E ninguém se importou em fazer o mais simples, ao desmontar seus stands, criar relacionamento com o propenso comprador. Uma feira não termina quando você sai de lá, e sim, quando você entra em contato com todos que trocou cartões, mesmo aqueles que em um primeiro contato não despertaram nenhum interesse comercial, podem te surpreender. Além disso,

não raro, os próprios expositores falavam dos produtos, mas não tinham nenhuma autoridade comercial.  A frase: “meu gerente não veio” foi ouvida muitas vezes.

Tá lembrado da minha matemática, onde 2 feiras me garantiam comissões pro ano todo? Então, se o expositor não tem autoridade comercial pra conversar, joga fora 6 meses de venda. Ah e acrescenta na conta, todo o investimento pra participar do evento.

E o que você, que está lendo agora esse post tem a ver com isso?

Bom, se você chegou até aqui é porque com certeza já pescou vários insights nessa história. E se tem um insight que eu quero sublinhar aqui contigo é: quantas vezes temos uma ideia, planejamos, investimos, vivenciamos e no final ela não deu certo, pois simplesmente nos esquivamos de executar o próximo passo, por mais simples que seja?

Quantas vezes nós colocamos a culpa nos outros, quando na verdade bastava nós mesmos assumir a responsabilidade de ir um pouco mais adiante?

Existe um mantra que eu sempre repito a todos ao meu redor: não mate o seu projeto, não mate a sua ideia, não mate a sua venda. Faça tudo que estiver ao seu alcance, se não der pra seguir em frente é porque a outra parte decidiu não continuar, ou não fez a parte dela.

Fazer tudo que estiver ao seu alcance não significa fazer tudo de uma vez, e sim, criar a disciplina de executar pequenas tarefas dentro de um prazo. Dá trabalho? Sim. É difícil? Nem um pouco.

E você, quais são as pequenas ações que você precisa fazer, ou já está fazendo para que impactem na sua produtividade?

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