FooTechs: Startups do Futebol

Uma tragédia anunciada para as emissoras de TV finalmente aconteceu, Atlético Paranaense e Coritiba não venderam os direitos de transmissão do clássico para a Globo, ao invés disso, preferiram transmitir a partida pelo Youtube. A federação paranaense não gostou e proibiu o início da partida. O assunto ainda está em discussão.

Ao mesmo tempo, clubes como Paysandu, Fortaleza e Santos rompem com marcas multinacionais como Puma, Kappa, Nike e decidem lançar marcas próprias de material esportivo.

Tragédia para o status quo, ótima notícia para os clubes, torcedores e empreendedores. A inovação não bate na porta. Inovação entra com o pé na porta.

Entenda como você empreendedor, pode transformar a crise das grandes empresas, na oportunidade da sua startup.

Sou um apaixonado por Startups e Futebol, uni-los em um só artigo é de certa forma um alívio, pois até então considerava como desperdício a quantidade de tempo dedicada ao futebol. Sempre adorei ir ao Maracanã, mas preferi me afastar dos estádios, por conta da violência que isso se transformou. O nome Arena, nunca foi tão bem usado desde a Roma antiga, os estádios se tornaram arenas de combate.

E antes que você pule algumas linhas deste texto, calma um pouco, essa introdução tem tudo a ver com a conclusão que iremos chegar.

Em minhas idas ao estádio, logo percebi que o Mercado Futebol é algo único no Brasil.

Imagine essa comparação: você vai a uma loja, compra um produto que logo em seguida deixa de funcionar, você então tenta trocá-lo, a loja não aceita e ainda te atendem mal. Grandes são as chances de você não voltar mais e ainda espalhar essa história para seus amigos. Acontece que no futebol, é tudo diferente…O torcedor vai ao estádio, o transporte público não dá vazão, se for de carro não tem onde parar e além de torcer para o seu time, torça para o carro não ser rebocado, o evento é em sua maioria desorganizado, o time pode perder do arqui rival e na saída é melhor correr para não ser agredido pela torcida organizada do seu próprio time. A experiência não é tranquila. O que acontece no dia seguinte? Nós defendemos nosso time, pois time é de coração e sentimentos não são para serem racionalizados, e sim, sentidos.

Com a profissionalização da gestão dos clubes, finalmente o futebol entendeu que dinheiro não aceita desaforo, e para aqueles que insistem em dizer o contrário, fica a frase de Muricy Ramalho: “A Bola Pune” e a série B é logo ali.

O futebol nunca precisou tanto da cultura startup quanto agora.

O DNA dessa cultura é a disrupção, uma vez que um setor é invadido por nosso ecossistema, ele jamais volta a sua forma original. E quem ganha com isso? Os consumidores, que passam a usar soluções melhores e financeiramente mais acessíveis.

Há alguns anos venho falando sobre a necessidade de disrupção no esporte e na maioria das vezes que falava isso, as pessoas entendiam como alguma nova tecnologia que vai melhorar a performance dos atletas. Ok, isso também é um exemplo. Mas esse texto não é sobre medicina esportiva, é sobre COMO INOVAR NO BUSINESS FUTEBOL.

Vamos ficar no exemplo do mercado de transmissões de campeonatos que hoje, em 2017 não faz o menor sentido.

Para você conseguir assistir aos jogos do seu time na sua cidade, você tem que comprar um pay per view. A empresa líder TV por assinatura cobra de R$109,90 por mês e se for comprar jogo avulso, cada partida sai mais cara que o pacote mensal. Ok, eles estão empurrando a venda do pacote.

Mas para você ter o direito de comprar o pay per view, é necessário ser um assinante da TV a cabo, como está cada vez mais difícil e caro comprar somente o serviço de TV, eles fazem uma venda casada, também conhecida como Combo.

Vou continuar aqui com o exemplo da empresa líder de TV por assinatura.

Para entender melhor, vamos aos números:

O combo, com uma seleção de canais suficientes apenas pra ver novela em HD e leilão de tapete + pay per view sai por R$322,70 por mês, ou seja, o torcedor que só queria assistir aos jogos do seu time, pagou 34,44% do salário mínimo e ainda levou uma porção de tralhas. O meu pay per view cancelei, pois acredite, era o único canal que não tinha sinal.

Lembro-me que na década de 90, bastava fazer a assinatura de TV e ter acesso aos jogos. Hoje em dia não, o combo mais barato não te dá o direito de comprar o pay per view. Isso é bizarro, não estamos falando em simplesmente comprar, mas para ter o direito de compra, é necessário fazer upgrade do plano inteiro.

Convenhamos, pagar quase 35% do salário mínimo pra ter acesso aos jogos do nosso time é algo que só poderia funcionar nesse pedaço de terra separado do mundo chamado Brasil.

Mesmo com valores estratosféricos, os times de futebol reclamam que as cotas de TV são desiguais, e que Flamengo e Corinthians estão ganhando muito. Porém, mesmo esses clubes não parecem ter privilégio algum nas negociações, visto que o Flamengo apenas fechou contrato de transmissão do estadual 2017, poucos dias antes da sua estreia na competição.

Esse mercado é dominado pela Rede Globo, não por possuir alguma patente ou alguma tecnologia diferenciada. Dentre as emissoras de TV, a Globo tem um Branding inigualável no Brasil. Isso significa que mesmo se outra emissora chegar com mais dinheiro, os clubes ainda sim prefeririam fechar com a Globo, pois quando esses vendem suas cotas de patrocínio, como espaços na camisa, as marcas preferem ser expostas na Globo do que em outra emissora. Ter sua marca exposta naquela telinha é o maior diferencial. Ou seja, para outra emissora vencê-la, ela tem que chegar com uma oferta extremamente superior, não adianta subir a plaquinha do leilão e dar R$1,00 a mais, teria que oferecer muito mais, e isso é inviável.

Antes de sair por ai falando mal da Globo, calma que o problema não é tão simples assim. Até porque não esqueça que estamos falando de uma empresa privada que se utiliza do poder da sua marca para negociar. Muito diferente das Federações que se utilizam de um poder político para ficar com parte desse valor.

Apesar de não serem obrigados a aceitar o que foi oferecido, os clubes se sentiam pressionados, pois não havia alternativas viáveis.

Até aqui temos clubes e torcedores insatisfeitos. E agora… Quem poderá nos ajudar?

Para resolvermos esse problema, precisamos ir mais fundo e compreendê-lo.

Dizer que Flamengo e Corinthians estão ganhando muito, é um mito. Vou te mostrar aqui que TODOS os clubes deixam dinheiro na mesa ao negociar com emissoras, INCLUSIVE Flamengo e Corinthians.

Uma emissora de TV aberta não é nada mais, nada menos do que um agente privado que recebeu ou comprou uma concessão estatal para tal. Os clubes de futebol precisavam dessas emissoras para que seus jogos fossem transmitidos, um intermediador que se tornou um grande player dentro do processo. Acontece que com o avanço da tecnologia, qualquer um pode fazer transmissões ao vivo e de graça por Youtube, Facebook, Instagram e diversos outros aplicativos. Antigamente, o torcedor que ia ao estádio levava consigo um radinho de pilha para receber informação de fora, hoje em dia, além de receber informação, qualquer pessoa com um celular se transformou em uma emissora, podendo fazer transmissões ao vivo do estádio para o mundo todo.

Percebeu que a concorrência não é mais Globo Vs Outras emissoras?

As outras emissoras não tem como competir, a briga agora é: Modelo de Negócio de TV Vs Online

Youtube, Facebook e NetFlix se tornaram as maiores emissoras do mundo e eles estão chegando nas transmissões esportivas também. E sabe quanto eles vão pagar por isso? R$0,00 e os clubes ganharão muito mais dinheiro!

Como isso é possível? Voltando aos números:

Vamos pegar o exemplo do Flamengo, o clube que em teoria não teria porque apostar em um novo modelo, já que detém a maior cota de direitos de TV e recebe entre R$170 e R$200 milhões anuais por campeonato brasileiro.

Imagine agora que o Flamengo rompa esse acordo deixando de receber esse valor e lance uma plataforma, transmitindo seus próprios jogos, dos quais o torcedor pagaria uma mensalidade R$ 32,27, ou 90% mais barato do que pagaria para a TV a cabo.

Considere que o clube utilize o streaming do Youtube ou Facebook que transmitem para o mundo inteiro, o Flamengo passa a atingir também àqueles que vivem fora do Brasil e têm saudades de acompanhar o seu time. Quando eu estava morando no Vale do Silício, a única alternativa era procurar por transmissões não oficiais, de baixa qualidade, pois nem pagando era possível.

Em se tratando de um time com uma torcida de 40 milhões de torcedores, qualquer porcentagem que você calcular, já multiplica e muito o valor recebido pela TV e tem um potencial de escalabilidade incrível para alavancar outros produtos, como o Sócio Torcedor. Convenhamos, essa estratégia é melhor do que vender tijolinho a R$380,00.

Empreendedor, a experiência de transmissões esportivas ao vivo e online ainda precisa ser construída, a audiência cansou de ficar calada e passiva, a rede social trouxe mais voz ao mundo, agora além de tweets, as pessoas poderão fazer narração dos jogos para seu grupo de amigos, integrar ecommerce, gameficar o evento…A customização de transmissões é perfeitamente possível dentro de plataformas abertas, as possibilidades são tão grandes, quanto a nossa criatividade. E o melhor, por mais que os clubes façam acordos pontuais com as TVs, o processo de inovação já começou e será liderado pelas startups

O Atletiba foi a ponta do Iceberg.

Uma nova geração de startups focadas em inovar o esporte irá nascer. Serão as SporTechs, ou aqui no Brasil, pode ser FooTechs, as startups do futebol. A segunda tela não nasceu para conviver com a primeira tela, ela veio para desconstruí-la e criar algo muito melhor e acessível para todos.

Você está preparado? Como eu sempre digo, startups são extensões de seus fundadores, a verdadeira disrupção acontece primeiro em você, no empreendedor. Para saber mais sobre isso, estou fazendo um pré-lançamento do meu livro STARTUP PÓS-DIGITAL.

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